Escola de férias da Universidade Tecnológica de Riga

   Em julho e agosto do ano passado, tive a oportunidade de participar como bolsista de um curso de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Tecnológica de Riga (RTU). A primeira vez em que soube do curso foi por um e-mail que minha mãe recebeu anunciando que abriram as inscrições. Eu fiquei interessada e fui visitar o site do programa. A proposta do curso me chamou muito a atenção: o objetivo era que o aluno, em uma semana, elaborasse um projeto e na semana seguinte o construísse. Para mim, era uma proposta completamente nova, porque nunca tivemos a oportunidade de realmente construir um de nossos projetos na faculdade – o mais perto que chegamos foi em maquetes de papelão na escala 1:1, para pequenos projetos.

   Em suma, o que a Summer School of Architecture da RTU propõe é que alunos do mundo todo se juntem em um curso de duas semanas e projetem duas instalações com ajuda de tutores. Eram dois grupos, cada qual com seus tutores e uma instalação a ser projetada e construída. Outro aspecto que me chamou atenção no curso foi a escolha dos tutores: três eram fundadores de um escritório conhecido da Letônia e os outros três eram professores de Oxford com projetos internacionais. Além disso, os dois organizadores do curso eram professores da RTU e trabalhavam na área de urbanismo em várias cidades da Letônia, especialmente em Cēsis. As atividades propostas pelo curso incluíam desde palestras com profissionais de diversas áreas, workshops a atividades como canoagem e yoga.

   Porém, como era meu primeiro ano de faculdade, eu ainda não tinha os pré-requisitos para me candidatar para participar do curso. No ano seguinte, em 2016, abriram novamente as inscrições e dessa vez eu já tinha cumprido a carga horária mínima para poder me candidatar. O processo não foi muito difícil. Era necessário enviar um currículo e uma carta motivacional em inglês, uma foto e um portfolio. O currículo deveria ter uma página, a carta deveria ter no máximo 1000 palavras ou 3 páginas, e o portfiolio só poderia ter 3 páginas, sendo que nenhum arquivo poderia ultrapassar 5 Mb. São cerca de 250 inscritos para 20 ou 30 vagas.  

   Acredito que a carta motivacional seja a chave para ser aceito ou não no curso. Conversando com a organizadora, no dia em que chegamos, ela comentou que foi a carta motivacional que teve, de fato, um peso grande na decisão. É importante que ela contenha três informações importantes: quem você é (sem repetir o seu currículo), porque você quer fazer esse curso e porque você quer uma bolsa de estudos.

   Acredito que o curso foi importante para a minha formação profissional, além de me dar a oportunidade de ir para a Letônia e fazer novos amigos. Durante o processo de elaboração do projeto, tivemos contato com vários aspectos culturais e históricos da Letônia. Além disso, durante a construção e na inauguração, muitos moradores de Cēsis – e alguns turistas – ficaram curiosos e vieram perguntar sobre o projeto e o curso. É uma experiência muito boa que recomendo para quem tiver interesse.

Passo a passo para quem quiser ir também:

  1. Entrar no site abaixo e ficar atento as inscrições.
  2. Traduzir o seu currículo e fazer ser portfolio.
  3. Iniciar o processo de inscrição na data indicada (normalmente em março ou abril).
  4. Escrever sua carta motivacional.
  5. Enviar as inscrições.

Site do programa: http://www.rtusummerschool.lv/

Meu email para tirar dúvidas: mirelathaise@gmail.com

 

Fotos por Kaspars Kursišs

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Festa Ligo 2017 em Nova Odessa

      No dia 24 de Junho os letos do Brasil celebraram o Ligo em Nova Odessa com muitas músicas, danças e uma excelente gastronomia. Por volta das 16:00 turistas de São Paulo visitaram o local da Festa e puderam aprender mais sobre a Letônia e em especial sobre a festa Ligo através de uma palestra que a presidente da DAKLA, Renate de Carvalho Albrecht apresentou. Após a palestra o grupo aprendeu algumas danças típicas e pode experimentar algumas delicias da culinárias leta.

Turistas de São Paulo aprendem danças típicas. Foto: Gabriela Liepkaln

     Vários jovens ajudaram na organização da festa, uma equipe estava na entrada para receber os convidados, outros ajudaram na organização do pessoal na dança e em outras atividades. Muitos dos jovens vestiram trajes típicos letos que encomendamos com uma costureira do Brasil.

Alguns dos jovens que ajudaram durante a festa Ligo 2017. Foto: Gabriela Liepkaln

     Da mesma forma que nos outros anos, nós escolhemos uma pessoa que se destaca pela trabalho na comunidade Leta para acender a fogueira. O Elmars Kivitz foi o escolhido esse ano devido a sua contribuição para preservação da história dos letos no Brasil e difusão da cultura da Letônia.

Todo ano uma pessoa é escolhida para acender a fogueira, em 2017 o homenageado foi o Elmars Kivitz que sempre tem trabalhado para preservar a história e difundir a cultura leta no Brasil. Foto: Gabriela Liepkaln

 

Músicas e danças

     Quem animou a festa foi a Ilze Farte e Matiss Uskans. Eles não se tocaram músicas letas como também puderam ensinar o público novas danças que a maioria não conhecia. Além de tocarem na festa Ligo a dupla também se apresentou em Escolas de Nova Odessa e no festival de inverno de Monte Verde. A vinda da dupla ao Brasil só foi possível graças ao Ministério da Cultura da Letônia (LR Kulturas ministrija) e a PBLA (Pasaules Brivo Latviesu Apvieniba) através do projeto de celebração do centenário da Letônia.

Publico dança animado ao som da dupla Ilze e Matiss da Letônia. Foto: Paulo Vieira
Ilze ensina novas danças durante a festa Ligo 2017. Foto: Paulo Vieira.
Matiss Uskans e Ilze Farte. Dupla que animou a festa Ligo 2017. Foto: Gabriela Liepkaln.
Apoio: Ministério da Cultura da Letônia e PBLA – Associação Letos Livres do Mundo

     Durante a festa tivemos um publico estimado em 600 pessoas que assistiram as danças e apresentações musicais e puderam encontrar amigos e parentes em um ambiente familiar. Tivemos visitantes de Varpa, Curitiba, São Paulo etc.. Como em toda celebração leta a gastronomia não ficou para trás. O público pode se servir com pratos típicos letos e pratos tradicionais no Brasil durante essa época do ano. Isso tudo só foi possível através do trabalho voluntário de muitas pessoas que sempre ajudam a Associação Brasileira de Cultura Leta.

A Festa Ligo tem um ambiente familiar que propicia agradáveis encontros de famílias e amigos. Foto: Paulo Vieira
Parte das voluntárias que prepararam deliciosos pratos durante a festa. Foto: Gabriela Liepkaln

     A festa Ligo 2017 também foi a abertura das celebrações do centenário da Letônia no Brasil. Durante a festa explicamos que em 2018 celebraremos o centenário da Independência e proclamação da República da Letônia e como essa data é muito importante, iremos comemorar desde o Ligo até 2019.

No ligo 2017 demos início as celebrações do centenário da Independência e proclamação da república da Letônia no Brasil. Foto: Gabriela Liepkaln

A festa do Līgo

A festa do Līgo – também chamada comumente de Jāņi – é certamente o mais popular dos feriados letos. Celebrada na Letônia durante a noite mais curta do ano (o solstício de verão), no dia 23 ao 24, durando só das 23h às 3h, a festa é comemorada com muita dança, música e comidas típicas ao redor de uma fogueira.

Embora a época do Līgo, na Letônia,  seja também a das chuvas (os letos dizem com frequência para os dias chuvosos līst kā pa Jāņiem, “chove como se fosse o Jāņi”), isso não impede que multidões se reúnam nas principais cidades para celebrar. Para participar, apenas é preciso ter disposição e alegria. A festa é uma grande celebração da cultura e ancestralidade leta; várias tradições anciãs são preservadas.

História

A celebração da festa do Līgo vem desde os tempos imemoriais da cultura leta, quando os trabalhadores rurais se reuniam comemoravam a chegada do solstício verão e boas colheitas. Associava-se a celebração com as forças e divindades da natureza na mitologia leta – para celebrar o período entre a plantação e a colheita, para atrair felicidade e espantar o azar.

Na verdade, o solstício de verão acontece no dia 21 de junho, mas com a cristianização, as celebrações foram prorrogadas para o dia 23 para ficar mais perto do dia de São João (24), e daí temos o nome Jāņi. Além disso, os nomes Jānis e Līga estão entre os mais populares na Letônia, e são comemorados nos dias 24 e 23, respectivamente.

A celebração do Līgo é de grande importância para a cultura leta. Com o desenvolver da História, as celebrações foram proibidas, como na União Soviética, mas o povo continuava a se reunir para celebrar a identidade leta nos kolkhozes. Hoje em dia, o feriado é muito importante por celebrar a tradição e herança cultural leta.

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Os preparativos

O Līgo começa com a preparação das casas e saunas letas, os arredores são limpos: Lavagem, corte de grama, estocamento de lenha. É comum passar o feriado nas áreas rurais do país, com a natureza e as fogueiras – Mas nas grandes cidades também são organizadas celebrações e eventos especiais, como a venda de plantas medicinais, ervas, temperos, coroas de folhas, queijo, cerveja e muitas outras coisas para que os letos possam aproveitar a noite da melhor forma possível

A Coroa (Vainagi)

A coroa circular do Līgo simboliza o sol. Na confecção das coroas, os homens usam ramos de carvalho, e a coroa das mulheres é entrelaçada com uma variedade de flores dos pastos – As mulheres casadas também colocam folhas de carvalho em meio as flores, e todas as coroas são tecidas com muito esmero.

Colocar a coroa na cabeça de um amigo é sinal de uma relação forte e sincera.

As Ervas (Jāņuzāles)

Pela manhã, decora-se os cômodos com galhos de carvalho e bétula, margaridas e vidoeiro. Todas as flores, ervas e árvores de flor neste dia são consideradas “Jāņuzāles”, na tradição popular, acredita-se que as ervas coletadas ao nascer do sol possuem poder medicinal, e por isso nesta época são populares os chás naturais.

Com estas ervas também são criadas guirlandas e o portão do sol – um a oeste (rietumi) e outro a leste (austrumi), para simbolizar o nascer e pôr-do-sol.

As comidas (Ēdiens)

Além das ervas e chás medicinais, também são comidas populares no Līgo são os pīrāgi e o queijo de alcaravia (cuja cor simboliza o sol). Além disso normalmente é festejado com bebidas – mantenha sua bebida favorita estocada. Sem isso, você não está celebrando o solstício!

A Fogueira (Ugunskurs)

A fogueira do Līgo é comumente queimada do pôr-do-sol até o nascer do sol, no lugar mais alto, assim iluminando a área para haver luz e não trevas. A tradição popular é saltar sobre a fogueira, simbolicamente limpando tudo que é supérfluo. Os casais pulam a fogueira de mãos dadas para fortalecer o relacionamento, e saem para os bosques para procurar pela flor de samambaia – que só floresce na noite do Jāņi – mas talvez isso seja só um pretexto para namorarem em paz.

A Sauna (Pirts)

Também faz parte da tradição fazer saunas. Tipicamente, as saunas letas são decoradas com ramos de folhas de carvalho e bétula para relaxar e limpar tudo aquilo que não é bom. Depois, todos vão nadar num rio ou num lago por perto. As tradições são divertidos e fortalecem os laços entre família e amigos.

O Līgo no Brasil

O Līgo é uma das principais festas culturais letas que sobreviveu pelas eras, e ainda hoje é comemorada com muita diversão e alegria por todos. No Brasil, não viramos a noite, mas dançamos e cantamos muito, e comemos comidas típicas – celebrando a cultura e tradição viva em nós. Aliás, criamos até a nossa própria tradição para acender o fogo: todo ano um membro da comunidade é escolhido para levar a tocha até a fogueira. Você também pode participar da festa com as comunidades típicas em Nova Odessa (SP) e Ijuí (RS). Veja aqui como foi a festa dos anos anteriores! Venha e participe!

Mais informações na página do evento.

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