[Receita] Kliņģeris da vó Vergínia

O Kliņģeris se trata de uma “rosca” macia, levemente doce, trazida pelos imigrantes letos que chegaram ao Brasil no final do século XIX, e no caso desse artigo, Rio Novo. Possui uma relação (apesar de um pouco longínqua) do Bretzel alemão, e é costume ser servido em dias especiais.  Fazendo uma pesquisa na internet, observa-se que a receita “evoluiu” acrescentando hoje em dia frutas cristalizadas e coberturas com diversos tipos de enfeites. A versão ora descrita, digamos, é a versão “original” como nossa família conhece (e ama).

Minha irmã Lili, como nutricionista e hábil cozinheira, aprendeu a fazer com minha mãe (vó Vergínia) enquanto a mesma estava viva, mas resolvi fazer esta rosca buscando ajuda com a Dona Tereza, uma senhora que foi diarista da minha mãe e depois cuidou dela nos seus últimos anos. Ela era quem fazia estas roscas quando minha mãe já não tinha forças para o trabalho na cozinha.

Eu a convidei para nossa casa e fizemos juntos esta rosca, mas como minha mãe não tinha medidas precisas quando preparava a receita, sua “discípula” Dona Tereza também não.  As quantidades iniciais os ingredientes eram “ajustados” ao longo do processo. Tentei fazer o máximo de anotações possíveis para “não perder nada” que pudesse ser relevante para esta experiência “química”.

Ingredientes

  • Noz moscada (duas unidades “in natura”. Segundo a instrutora, a que é vendida moída num pacotinho não tem o mesmo efeito no sabor final;
  • 4 copos de leite
  • 3 colheres de sopa de fermento biológico granulado
  • 3 copos de açúcar
  • 230g de manteiga
  • 2 colheres de sopa de sal
  • 2kg de farinha de boa qualidade

Passos

  1. Numa panela pequena coloque 1 copo de leite junto com o fermento e aqueça levemente no fogão. Aguarde o passo 4.

    Passo 2

  2. Rale duas unidades de noz moscada até restar apenas um “toquinho”.
  3. Numa bacia grande coloque os outros três copos de leite misturando o açúcar, a noz moscada ralada, a manteiga e o sal. Misture tudo com a bacia e aqueça levemente no fogão até um “amornamento”;

    Passo 3

  4. Saindo do fogão, misture o fermento (que estava na panelinha aquecida);
  5. Acrescente a farinha e  inicie o processo de amassar até que tudo ficasse uniforme e solto (não pegajoso). Após um certo período na bacia, retire a massa e continue este processo diretamente numa superfície polvilhada com farinha de trigo. Recomendação da Dona Tereza: não utilizar superfícies frias tipo granito.

    Passo 5

  6.  Deixe então um longo tempo (quase duas horas) no forno ligeiramente aquecido para que a massa cresça. Para melhor aproveitamento do calor coloque um plástico cobrindo toda a massa.
  7.  Unte as formas com óleo de cozinha, e quando a massa estiver crescida confeccione as tranças e colocadas nas formas.  Veja o vídeo abaixo:

    Passo 8

    Passo 9

  8. Separe duas gemas de ovo numa xícara e, com um pincel, e tinja a superfície;
  9. Deixe para assar em forno quente. Observe a coloração para desligar;

Obrigado Dona Tereza!


Original por Carlos Ademar Purim, de seu blog e republicado no fórum Letônia Brasil em 11 de Julho, 2018.

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Andreis Purim

Andreis Purim

Técnico em Eletrônica (UTFPR) e estudante de Engenharia da Computação na UNICAMP. Entusiasta da Cultura e História Leta.
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