Descobrindo a Letônia – por Bia Paes

IMG-20170409-WA0067Em fevereiro de 2017, eu tive a incrível oportunidade de visitar a Letônia, país de origem da família de minha mãe. Durante minha vida até aqui, a Letônia sempre esteve presente, mas de uma forma bem reduzida, pois não moro numa cidade com expressiva comunidade leta. Era como uma aura que conferia uma beleza especial ao meu sobrenome de grafia não convencional (Apse), e eu sempre tive curiosidades, mas nem sempre tinha boas oportunidades de conhecer melhor. Os anos passaram, com o tempo ganhei mais autonomia e consciência e passei a pesquisar por mim sobre a nação, fascinada pelo que via, e sempre falava com minha mãe e meus avós, quando podia, sobre o que significava ser de lá e manifestava meu sonho de conhecer pessoalmente. Com incentivo deles, e facilitada por ter começado a estudar em Campinas, comecei a me envolver melhor com a comunidade leto-brasileira em Nova Odessa no dezembro de 2016, e tem sido uma experiência ótima.

Num dia trivial, enquanto meu pai me levava para algum compromisso, ele me surpreendeu e disse: “Bia, você não quer de presente de aniversário ir passar uns dias na Letônia?”. De sorriso de um lado ao outro do rosto, começamos a planejar todas as coisas. Amigos queridos abriam sua porta para que eu tivesse condições de ficar e, assim, em fevereiro de 2017, passei 20 dias na Letônia. Uma viagem breve, mas que se tornou uma experiência inesquecível.

Para chegar em Riga, tive de fazer uma conexão em Amsterdã, e foram sete horas de espera. Quando próxima a hora do embarque, mal podia me conter. Estava com expectativas altíssimas. Entrar no avião e ouvir “labvakar”, “paldies” e outras palavras das poucas que eu ainda consigo reconhecer foi uma sensação especial. Ao chegar, fui recepcionada com uma frente fria, as temperaturas indo do -10 ao -15, com ventos cortantes, que persistiram na primeira semana. A casa em que eu estava era apenas três quadras de Vecriga, e, mesmo com o meu rosto congelando de maneira que ficava engraçado falar, era uma delícia caminhar e sentir aquele ar.

Durante minha estadia em Riga, pude ver coisas incríveis, como o Museu da Ocupação, o Museu da Guerra, a Basílica de São Pedro, a Biblioteca Nacional, o Palácio da Cultura e Ciência, conhecido informalmente como o “bolo de noiva do Stalin”, o Museu da KGB, a Galeria de Arte Nacional, o Open Air Museum, Mezaparks, conhecer as feirinhas de artesanato e as belas peças de âmbar, assistir o Ballet Nacional apresentando Dom Quixote na Ópera Nacional, e tive o prazer de caminhar e observar todas as cores, me perder pela Velha Riga, e me orientar pelo Monumento à Liberdade.

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Mas, também, durante o período em que estava lá, tirei uns dias para pegar um ônibus (extremamente pontuais) para visitar outras cidades das redondezas. Pude visitar Cesis e ver o Velho Castelo guiada por um lampião, o Novo Castelo e sua história riquíssima. Visitei Sigulda, onde conheci também os castelos de Sigulda e Turaida, que me ofereceram vistas belíssimas. Visitei Jurmala, pude ver o Mar Báltico e caminhar pela charmosa Jomas Iela e o Dzintaru parks. Por fim, em meu penúltimo dia de viagem, fui conhecer Kuldiga, a Veneza leta, banhada pelo sol dourado da tarde, e pude ver a Ventas Rumba, a mais larga queda d’água da Europa, não a mais alta, mas de fato bela. Foi uma viagem deliciosa.

Assim, após vinte dias absorvendo tudo o que eu podia daquele ambiente, tive de ir embora. Letônia se despediu de mim com uma tempestade de neve maravilhosa em Riga, deixando a cidade como um sonho branco, a neve formando uma coberta macia no chão. Foram momentos inesquecíveis, que apenas acenderam em mim ainda mais a vontade de conhecer mais a fundo a história desse país e seu povo, que do qual, aos poucos vou aprendendo, faço parte também. A sensação que fica, porém, é de que ainda não vi nada: tudo aparenta ser pequeno e próximo, mas a cada passo que se dá, se expande um universo de coisas para ver e aprender. Ainda voltarei para poder descobrir tudo o que a Letônia pode me mostrar.

 

Bia Paes

Bia Paes

Letobrasileira, estudante de Letras na UNICAMP, com ênfase em pesquisa de tradução e linguística histórica e comparada. Voluntária da Associação.
Bia Paes

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