13ª eleição para o parlamento Leto – Outubro de 2018

Como e porque devemos votar
A partir de informações compiladas por Ivars Ījabs, um analista político independente da 
Associação dos Letos Livres do Mundo. (PBLA)
A próxima eleição parlamentar nacional da Letônia ocorrerá no dia 06 de outubro.
A Letônia é um país democrático, assim cada cidadão tem o direito de votar nas eleições.
Em contraste com os países onde as  eleições são parlamentares e presidenciais separadas, a Letônia tem apenas uma eleição nacional, que determina o curso do governo para os próximos quatro anos. A eleição nacional da Letônia decide quais candidatos e partidos formarão o próximo governo (Saeima), eleito, o Saeima escolhe o presidente.
O sistema de votação Leto é único e a lista de candidatos e partidos é longa. É muito importante votar, pois os votos da Letónia no estrangeiro formam uma parte substancial do eleitorado. Na Letônia, onde a votação não é obrigatória, cada voto pode fazer uma grande diferença!
O parlamento (Saeima) é composto por 100 assentos  compostos pelas 5 regiões de eleitorado; cada região possui um número de assentos proporcional à população daquela região.
As regiões são Latgale, Kurzeme, Vidzeme, Zemgale e Riga. Mudanças na distribuição da população resultam em uma redistribuição. Para a próxima eleição, os números são:
Latgale (14), Kurzeme (12), Vidzeme (25), Zemgale (14), e Riga (35).
Desde as eleições anteriores, as três primeiras regiões perderam um lugar, enquanto Riga ganhou 3. Esta mudança pode ser explicada pelo fato dos votos dos letões residentes no estrangeiro estarem incluídos no eleitorado de Riga. Houve uma onda de emigração econômica nos últimos quatro anos.
Foi calculado que os letões estrangeiros têm o potencial para decidir 8 dos 100 assentos.
Isto pode fazer uma contribuição crítica para a formação e o tom do próximo governo da Letônia.
                        
O sistema de votação é baseado nas preferências partidárias. Há um boletim de voto separado para cada partido. Cada eleitor recebe um envelope de voto e vários boletins de voto, um para cada um dos participantes. O eleitor escolhe um dos boletins de voto, que é depois colocado no envelope e na urna. Os boletins de votos restantes são descartados. Antes de colocar o boletim de voto escolhido no envelope e na urna, o eleitor pode marcá-lo para indicar preferências entre os candidatos listados; isto influenciará se um determinado candidato na folha de preferência do partido realmente acaba com um assento no Saeima.
Um sinal de mais ao lado do nome do candidato indica um deslocamento positivo para esse candidato, uma linha através do nome do candidato move o candidato para baixo na lista.
Os que estão no topo da a lista entram no “Saeima”.
           
Partidos políticos
Existem muitos pequenos partidos políticos na Letônia. Para serem incluídos na eleição, os partidos devem  ter pelo menos 500 membros e já terem sido formados há 1 ano antes da data da eleição. Para entrar no Saeima, um partido político tem que pesquisar pelo menos 5% dos votos.
Para aumentar as chances de os candidatos de um pequeno partido ganharem assentos no Saeima, eles acordam com outro pequeno partido (ou partidos). Quando isto acontece, e uma parte combinada é formada, é interessante conhecer as políticas e ações de suas partes constituintes, antes de tomar uma decisão. A lista de candidatos para a eleição será finalizada no final de julho.
Aqui segue um breve resumo dos principais partidos. É mais provável que os principais intervenientes na próxima eleição letã sejam três partidos que já têm um histórico.
Estes são:
•    Social-democrata “Saskaņa”, 
•  “Zaļo um Zemnieku Savienība ”[ZZS] (União dos Agricultores Verdes) 
•  “Nacionālā Apvienība” (União Nacional) 
“Saskaņa” ocupa o maior número de assentos no parlamento desde 2010, mas não faz parte do governo. A principal base de apoio de “Saskaņa” é a população falante do russo da Letônia, mas também ganha votos de letões étnicos. O partido é ideologicamente diferente de todos os outros à medida que é contra o Letão ser a oficial língua da Letónia; tem uma postura pró-
soviética sobre a ocupação da Letônia e tem tendências geopolíticas pró-russas. Devido
a estas diferenças ideológicas básicas, é altamente improvável que “Saskaņa” seria capaz de formar uma aliança com qualquer uma das outras partes, por isso é mais provável que eles voltem a estar na oposição nesta eleição.
Zaļo un Zemnieku Savienība (ZZS) é atualmente o principal partido de governo da Letônia. Tem as suas raízes em áreas regionais fora de Riga e muitos dos seus candidatos são políticos do governo local. Este partido não tem uma base ideológica específica, mas confia no desejo pós-soviético por um “bom e honesto administrador” e também tem a
capacidade de atrair candidatos populares. Como o principal partido político no atual governo, ele foi responsável por iniciar as recentes reformas na área tributária e de saúde. Apesar de alguns de seus membros flertarem com a retórica antiocidental e antiamericana, é pouco provável
formar uma coalizão com “Saskaņā”.
A base de apoio para Nacionālā Apvienība é aquela para quem o letão-russo considera o
relacionamento de extrema importância. NA ostenta uma série de políticos populares e seus apoiantes parecem despreocupados com o crescente número de alegações de corrupção, nivelados com seus representantes.
“Vienotība” ganhou o segundo lugar nas eleições anteriores, mas agora caiu para 3-4% em classificações; portanto, poderiam estar completamente fora do próximo governo. Esta queda de classificações pode ser explicada pela incapacidade do partido de superar suas diferenças internas. Perdeu uma faixa de políticos, mas manteve um número de candidatos experientes e populares que trazem consigo uma sólida base de apoio. As políticas de “Vienotība” são européias, centradas e tecnocráticas. Não há garantia de que eles terão apoio suficiente para obter
assentos no próximo Saeima.
“Jaunā Konservatīvā partija” tem muito em comum com “Vienotība”. Seu foco atual é
anti-corrupção, que ele está buscando efetivamente. JKP não é um novo partido, mas foi vitalizado por candidatos novos e enérgicos, incluindo os defensores dos direitos humanos. Apesar de sua energia e excelentes habilidades de comunicação, eles não têm experiência política.
“Attīstībai / Par” é um novo partido, na esperança de atrair o eleitorado liberal de “Vienotības”. É liderado por políticos competentes, com experiência no governo. É apoiado predominantemente por eleitores jovens, educados e orientados para a Europa. As fraquezas deste partido são que
alguns de seus políticos são contaminados por relações públicas anteriores e que a esquerda ocidental nas políticas são muito populares na Letônia.
O KPV.LV é basicamente um partido de um homem só, liderado por Artus Kaimiņš.
Ele baseou sua carreira na política em apontar as falhas da elite existente do sistema, mas ainda está para fornecer políticas alternativas para lidar com essas falhas.
Latvijas Reģionu apvienība (União Regional da Letónia) é um aliado independente do ZZS,
que também atraiu alguns candidatos interessantes.
Latvijas Krievu savienība (União Russa da Letônia) é um partido abertamente pró-Moscow, que atrai o setor pró-russo radical do eleitorado. Este partido vê “Saskaņa” como sendo muito ocidental e conformista.

O Coro vai a Letônia!

Toda nação possui uma identidade cultural – e não é exagero dizer que a Letônia tem uma das mais belas: cantar. Está na alma e no sangue de todo o leto, seja lá ou seja aqui no Brasil. Não é à toa que durante tempos de opressão, a cantoria era a força unificadora de todos aqueles que sonhavam em cantar – livres – uma vez mais.

Considerado pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o Festival de Coro e Dança reúne a cada 5 anos, mais de 30.000 coristas e dançarinos, e mais milhares de turistas e espectadores. O primeiro festival foi realizado em 1873 e este ano, em 2018, celebrará os 100 anos da República da Letônia.

Do lado de cá do oceano, os letos e seus descendentes também se reúnem para cantar por prazer e com alegria. O Coro Misto é uma iniciativa de coro aberto, atualmente composta por 25 coristas de Nova Odessa, Atibaia, Varpa, Campinas e outras cidades. A ideia de juntar corais é uma tradição já antiga na comunidade, principalmente em encontros realizados pelas igrejas batistas. Desta vez, no entanto, apareceu uma oportunidade única: aplicar-se para participar do festival de Corais. A longa viagem, no entanto, começou no Brasil…

Realizar ensaios – para começar – não foi nada fácil pois haviam coristas em lugares tão distantes como Varpa e São Paulo – divididos por seis horas de viagem. A solução, então, foi realizar ensaios locais na forma de módulos. O segundo desafio foram as músicas: complexas, exigentes, minuciosas – o coro teve apenas três semanas para ler, entender e executar. Para serem selecionados, precisavam fazer duas gravações para avaliação do júri da Letônia. Os ensaios foram alternados entre Nova Odessa e São Paulo para a primeira gravação. Para a segunda, a solução foi tentar aproveitar o máximo do curto tempo que foi dado, ambos os grupos estudaram separadamente com afinco. O resultado foi positivo.

Após muito trabalho, o Coro Misto pode celebrar: é o primeiro da América Latina a participar do Dziesmu Svetki. Estarão na Letônia por volta de um mês – mas não pense que será apenas para turismo – eles terão compromissos oficiais, conferência dos regentes e outras atividades importantes. Entre 01 e 08 de julho, todos estarão concentrados, ensaiando ou cantando nos concertos oficiais. Em meio à correria de ensaios e preparação, entrevistamos o regente do coral Allan Arajs para saber um pouco mais sobre o coro misto. Veja um trecho da entrevista a seguir:

Entrevista

Letônia Brasil – Como foi a formação do coro no seu atual modelo, o coro misto? Houve outros coros antes?
Allan Arajs – Este modelo já existe a muitos anos. Sempre que há alguma comemoração cívica há colaboração de voluntários de Nova Odessa, São Paulo, Varpa e outras cidades também. Com certeza, esta parceria entre coristas tem mais tempo do que a minha existência (risos).

LB – Qual é o objetivo e visão do coro? Quais foram as ideias iniciais?
AA – O objetivo do coro é, em primeiro lugar, tentar não confundir a questão cultural com a questão religiosa. Em segundo lugar, estudar a música leta em toda sua essência e, em terceiro lugar, o prazer de cantar músicas letas e a diversão. Estar com amigos queridos e que tenham prazer em cantar.

LB – A ideia de ir à Letônia este ano era um sonho muito distante? Vocês achavam que conseguiriam se classificar?
AA – Depende. Cada um teve sua visão, tanto de pessimismo quanto de otimismo. Eu sempre acreditei no trabalho de minha equipe (regentes e coristas). Houve necessidade de administrar a ansiedade. Mas, os coristas que possuem leitura musical fizeram com que o trabalho dos regentes fosse simplificado. Mas sempre trabalhamos com otimismo! E conseguimos!

LB – Como foi o processo (para ser escolhido)? Como foi receber a notícia que vocês iriam para a Letônia? E os desafios de gravar um vídeo?
AA – O processo foi o mais complexo possível, uma vez que contava com um juri formado por compositores e regentes do alto escalão da Letônia, que receberam nosso material e julgaram nosso trabalho. Após uma semana, recebemos a notícia pela nossa administradora do coral, Inga Liepina, que estávamos aprovados dentro da pontuação exigida. Os desafios nem foram para gravar o vídeo, mas sim a técnica em cantar. A música leta não é nada fácil. Possui peculiaridades musicais que devem ser estudadas e compreendidas. Existem questões de interpretação como também a aplicação do conhecimento musical. Foi um grande desafio para a nossa equipe.

LB – Como está o planejamento da viagem? Quando vocês irão?
AA – O coro irá embarcar aos poucos, uma vez que temos coristas que necessitam cumprir suas obrigações de trabalho. No período de 17 a 29 de junho o coral estará embarcando para Riga. Este planejamento foi feito em conjunto com todos os componentes, de acordo com as necessidades de cada um.

LB – Há membros que nunca visitaram a Letônia? Como está a expectativa deles?
AA – Sim. Há pessoas que estão indo pela primeira vez e já para um compromisso importante. Creio que estejam muito felizes em conhecer a Letônia, como também receber esta experiência única em cantar no Dziesmu Svetki.

Gostaria – por fim – de agradecer a todos da equipe de música, coristas e apoiadores do coral. Gostaríamos muito de receber mais apoio. Trabalhamos como voluntários e alcançamos um objetivo único e indescritível. Esperamos que nosso coro possa crescer e temos material humano, projetos e ânimo para isso.

Coristas de Nova Odessa e São Paulo

 

Grupo da Letônia visita escolas em Nova Odessa

Durante os dias 05 e 06 de Junho de 2018, o grupo de músicos da Letônia da festa Ligo 2018 – Laima Dimanta, Tenis Dimants e Janis Feldmanis – tiveram a oportunidade de visitar as escolas da rede municipal, ensinando sobre a cultura leta.

As visitas são promovidas pela Associação Brasileira de Cultura Leta desde 2016 com a visão de ensinar a cultura, história da Letônia para os alunos, abordando também temas como cidadania e respeito às diferenças. Neste ano, dez escolas do ensino público em Nova Odessa (SP) e uma em Americana (SP) foram visitadas.

Os músicos – sempre acompanhados por um tradutor voluntário da Associação – se apresentam às crianças e ensinam as músicas e danças típicas, que retribuem com atenção e entusiasmo

Esperamos continuar levando cultura e cidadania para mais e mais escolas a cada ano.

Fotos: Lucas Stepanow Eksteinas

 

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10 Coisas que você não sabia sobre os Letos do Brasil

Tem muito leto para um mundinho tão pequeno – essa é a única explicação. Desde que os primeiros imigrantes da Letônia colocaram os pés em terras brasileiras em 1889, muita coisa aconteceu – muita coisa mesmo. Hoje há grupos letos espalhados pelo sul e sudeste do país. Há médicos, engenheiros, professores. Há muitas histórias; será que você já escutou todas? Por isso mesmo reunimos uma lista de 10 coisas que você (provavelmente?) não sabia sobre os Letos do Brasil. Não foi fácil, mas vale a leitura:

1. Trouxemos um chocolate delicioso para o Brasil

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Achou que a Kopenhagen era dinamarquesa? Achou errado…

A Kopenhagen é uma empresa brasileira, mas com um detalhe importante: foi fundada por dois letos. Davi Kopenhagen era um estudante de medicina que abandonou o curso e Anna, uma pianista. Ambos migraram para o Brasil em 1928, seguindo um grande fluxo de letos que foram para a colônia de Varpa (SP), fundada em 1922. Anna e Davi, no entanto, optaram por ir à capital paulista, onde começaram a produção de marzipã na cozinha de sua casa.

Acredita-se que a receita de marzipã dos Kopenhagens tenha sido inspirada na famosa marca de chocolate leta Laima, fundada primeiramente em 1870. O paladar leto, no entanto, prefere chocolates mais amargos, enquanto a Kopenhagen atende ao “docinho” brasileiro. Anna e Davi abriram sua primeira loja em 1929, e o resto é história.

2. Fizemos a pista de pouso mais elevada do Brasil

Verner Grinberg (1910 – 2006) e seu avião

O vilarejo turístico na divisa entre Minas Gerais e São Paulo, Monte Verde, foi fundado por Verner Grinberg, que nasceu na Letônia em 1910 e veio para o Brasil em 1913. Primeiro, ele morou em Pariquera-Açu (SP) e depois em São José dos Campos – juntando-se aos outros letos que moravam lá. Em 1934 se casou com sua amada Emília Grinberg, que veio, em 1922, para a colônia de Varpa. Mudou-se em 1938 para “Campos do Jaguary”. Ali adquiriu terras, iniciando a formação de uma fazenda. Com o passar do tempo, outros letos se interessaram na compra de terras nessa região, e, em 1950, Monte Verde foi oficialmente formada.

Amante da aviação – um traço aparentemente comum entre os letos – Verner pilotou seu avião até chegar perto dos seus noventa anos de idade e diz que nunca fez sequer um arranhão nele. Fundou em Monte Verde o aeroporto mais alto do país: 1.600 metros acima do nível do mar com pista de 1.100 metros de comprimento. Falando em aviação…

3. O terreno do ITA foi doado por letos

ITA
Foto aérea do ITA

A ideia de trazer colonos letos para São José dos Campos é graças – principalmente – à Julio Malvess, que descobriu terras boas perto da Estrada de Ferro Central do Brasil. Vieram para São José várias famílias letas antes da Primeira Guerra Mundial, entre elas, Schause, Strauss, e Pusplatais.

As terras da família Schause foram, em grande parte, doadas para o Ministério da Aeronáutica e compõem a área do renomado Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1950, dentro do CTA (Centro de Tecnologia da Aeronáutica), das quais eram vizinhos os Pusplatais. Os eucaliptos às margens da Rodovia Pres. Dutra foram plantados por Arvido Schause. O loteamento de casas na região preservou a memória dessas famílias: um dos bairros adjacentes ao CTA é denominado “Vila Letônia”.

E não acaba por aí: existem, em São José dos Campos, a Associação Beneficente André Pusplatais (ABAP – Hoje renomeada para Associação Beneficiente de Ajuda ao Próximo) fundada 1996 e a Escola Ilga Pusplatais (EMEF).

(Agradeço a Arnaldo Ceruks pelas contribuições)

4. Nós temos a nossa própria Milda

A Milda de Varpa (SP)

Sabe aquela carismática estátua no centro de Riga (capital da Letônia) de uma figura feminina segurando três estrelas? O nome oficial dela é Brīvības Piemineklis (Monumento da Liberdade), e as três estrelas são as três regiões originais da Letônia (Kurzeme, Latgale e Vidzeme). Ela foi carinhosamente apelidada de Milda.

Ela é tão estimada que a colônia leta de Varpa (SP) decidiu construir sua própria versão na rotatória principal da cidade. Claro, não possui o mesmo tamanho que a Milda original, mas nós gostamos dela mesmo assim.

5. Gostamos de coro e dança

O grupo de dança Staburags, de Ijuí (RS)

Diz-se que os letos são, por natureza, um povo poético e cantor. A cada 5 em 5 anos, desde 1873, a Letônia inteira se mobiliza para realizar o Festival de Música e Dança (Vispārējie latviešu Dziesmu un Deju svētki). Ele é considerado um dos maiores eventos de corais do mundo – contando com milhares de músicos, coristas e dançarinos – e foi nomeado patrimônio da humanidade pela UNESCO.

O Festival de 2018, no entanto, será mais especial: comemorando os 100 anos da República da Letônia, 12 mil coristas e 17 mil dançarinos (sem contar os músicos) irão participar, e é claro que os letos do Brasil não iriam deixar a oportunidade passar. O Coro Leto Misto de São Paulo e Nova Odessa e o Grupo de Dança Staburags (Ijuí – RS) irão representar os letos do Brasil nesta festividade.

6. Temos também o Indiana Jones Brasileiro

Retrato do Professor Butler

Uma vez já chamado de uma espécie de Coronel Fawcett, Guilherme Butler (Vilis Butler) veio ao Brasil para professor da escola da Colônia Leta de Rio Novo (SC) em 1900. Mentor exímio, transformou a escola de tal forma que o Governador Vidal Ramos a visitou em 1905 e elogiou como uma das melhores de Santa Catarina. Mudou-se mais tarde para Curitiba. Sua casa na Rua Westphalen hoje é patrimônio histórico da cidade e é utilizada como centro cultural, que é onde o Grupo Leto de Curitiba se reúne a cada última sexta-feira do mês.

Foi professor de Alemão e Inglês no Colégio Estadual do Paraná. Quando não estava na sala de aula, viajava ao Sertão, Amazônia, Mato Grosso e Goiás numa época que a malária era o menor dos perigos lá e suas jornadas eram relatadas em páginas de jornais (“A minha viagem de férias à Amazônia”, O Dia, 1934). Coletou as águas de inúmeros rios brasileiros também, como o Negro e o Tapajós e estas amostras existem até hoje sob os cuidados da sua filha, Dra. Helen.

Quando se aposentou, foi convidado para ser paraninfo e seu discurso “As características de uma pessoa educada” foi publicado na íntegra na edição da Gazeta do Povo de 14 de dezembro de 1950. Hoje existe até uma escola com seu nome em Curitiba. Sua filha é igualmente impressionante, mas  sobre isso, vamos falar em outra oportunidade

7. Nós inauguramos a nova Arena da Baixada

Escanteio Brasileiro, Time da Letônia ao fundo

Ok, ok, o jogo oficial de inauguração do Estádio Joaquim Américo Guimarães (Curitiba – PR) mesmo foi em 24 de junho de 1999 com o jogo Atlético Paranaense contra o paraguaio Cerro Porteño. O primeiro jogo entre seleções, contudo, foi dois dias depois – Brasil contra a Letônia, no dia 26 de Junho.

O resultado foi 3 a 0 para a seleção brasileira – precisamos admitir ,  infelizmente, que o forte da Letônia não é o futebol. A torcida da Letônia contava com o Grupo Leto de Curitiba e outras figuras locais – até mesmo Dra. Helen Butler foi lá torcer! O jogo inclusive contou com a presença do Ministro do Esporte e Turismo do Brasil da época, Rafael Greca. Falando em visitas importantes…

8. Nós recebemos a visita de políticos importantes

Foto
A presidente Vaira Vīķe-Freiberga no Brasil

Do mesmo jeito que nós gostamos de visitar a Letônia, eles também gostam de nos visitar. A famosa presidente Vaira Vīķe-Freiberga já visitou a comunidade leta no Brasil duas vezes. Em uma das ocasiões, até recebeu uma camisa do Clube Atlético Paranaense como lembrança daquele jogo entre as seleções dos dois países.

O Vice-Chanceler Andris Teikmanis veio fazer uma visita em 2010. Em 2011, o Primeiro Ministro Valdis Dombrovskis. O Ministro da Defesa e medalhista de Peso Olímpico Raimonds Bergmanis esteve aqui em 2016; nesta ocasião, chegou a levantar alguns voluntários da Associação no braço. Além destas visitas consideradas mais oficiais, todos os anos algum grupo de músicos da Letônia vem para alegrar a nossa festa do Līgo.

9. Nós estamos também na Bolívia

O Colégio de Rincón del Tigre

A missão de Rincón del Tigre na Bolívia é uma iniciativa fundada em 1946 pelos batistas da Colônia de Varpa (SP). Cercada por uma floresta densa e com difícil acesso, Rincón serve como base para inúmeros projetos sociais e evangelísticos na fronteira Bolívia – Brasil.

Há também uma escola, fundada em 1955. Como é a única em um raio de mais de 70km, muitas famílias pediam para a missão abrigar seus filhos. Para cuidar de todos os alunos de lugares tão distantes, Rincón mantém este internato gratuito com pelo menos 120 alunos a cada ano, provendo acomodação, comida, roupas limpas, passadas, e cuidado médico sem custo para os estudantes.

10. Mas nós estamos em tudo quanto é lado!

Bandeiras do Brasil e Letônia no topo do morro do Anhangava (PR). Março de 2015

 

Parece sociedade secreta: uma pessoa pode ser atendida por um médico leto, ter aula com professores letos e não ter a mínima ideia disso. O Brasil é grande, mas nós demos conta de nos espalhar bem – como eu disse, tem muito leto para um mundinho tão pequeno. Formando uma rota de mais de 4 mil km – os letos já andaram e viveram por:

Rio Grande do Sul – Ijuí
Santa Catarina – Rio Novo, Joinville, Florianópolis, Orleans, Criciúma e Urubici.
Paraná – Curitiba, Quatro Barras, Araucária, Campina Grande do Sul, Balsa Nova, Porto Amazonas, Foz do Iguaçu e Porto União
São Paulo – São Paulo, Nova Odessa, Campinas, Hortolândia, Varpa, Paraguaçu-Paulista, Pirassununga, São José dos Campos, Bragança Paulista, Nova Europa e Monte-Mor
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro
Minas Gerais – Monte Verde

Isso sem mencionar centenas de outros letos morando em diferentes cidades e estados. Conhece mais alguma cidade? Mais algum leto? Já avisou para ele ficar antenado na página da Associação no facebook? Pois vem uma novidade tamanho Brasil por aí…

Sabe mais alguma curiosidade? Algum fato desconhecido? Mande um email para AndreisPurim@gmail.com contando o que você sabe!

A segunda independência da Letônia

   Apesar de existir desde tempos antigos, a Letônia se tornou um país independente pela primeira vez em 1918, aproveitando uma era de apogeu cultural e econômico seguindo o final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). No entanto, não demorou muito para ser invadida pela Alemanha Nazista e depois, e logo depois pela União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), ambas disputando o mesmo território. Deportações, censura, guerra e o Holocausto foram alguns dos muitos crimes cometidos contra os povos das pequenas nações Bálticas. Após a Guerra, os países haviam perdido mais de meio milhão de habitantes.

   Ao final da guerra, no entanto, o mundo virou as costas para os países bálticos. O ditador soviético Joseph Stalin havia sido um aliado importante contra os nazistas, e assim as pequenas nações e seus povos foram esquecidos sob o punho de ferro da censura soviética. Pelos próximos 50 anos, quem ousasse falar contra haveria de receber uma visita da KGB, a polícia secreta.

   A União Soviética, no entanto, não iria durar muito. Ao final da década de 70 sofria com estagnação econômica, burocracia elevada e uma população cansada. Em 1985 Mikhail Gorbachev assumiu o posto de Secretário Geral da União Soviética – e em uma tentativa de revitalizar o país – promoveu a política de glasnost (abertura política) and perestroika (abertura econômica).

   Em 1986 os letos criaram o grupo “Helsinki-86” para a defesa dos direitos humanos e liberdade. Este grupo procurava lembrar também as atrocidades cometidas pelo regime soviético. Em 1987 foi convocada a primeira manifestação pública contra a ocupação, em junho de 1988 a União dos Escritores também criticou o regime e clamou por mudanças.

   Em 23 de agosto de 1989 foi organizado o famoso Baltijas ceļš, o Caminho Báltico, uma manifestação pacífica formando uma corrente humana de 2 milhões de pessoas através de 675.5 quilometros através dos países bálticos. Essa manifestação chamou a atenção mundial e ajudou a formar uma opinião pública pela independência desses países. Após a queda do comunismo, essa data se transformou no dia da memoria das vítimas do Stalinismo e do Nazismo.

 

   Após essa demonstração, as autoridades soviéticas não tinham mais como negar a autonomia para os povos bálticos. Foi decidido que as repúblicas bálticas teriam eleições (apesar de controladas). Em Março de 1990 a Frente Popular Leta venceu o Partido Comunista. Em 21 de Abril milhares de pessoas se reuniram em Riga pedindo que o novo governo tomasse as medidas para a independência.

O 4 de Maio

   No entanto, a Frente Popular ocupava apenas 131 cadeiras das 201 no Supremo Conselho¹, enquanto eram necessários pelo menos 132 votos para declarar a independência. Após uma acirrada campanha e deliberação, repleta com tentativas do bloco soviético de impedir a votação, o povo se organizou com a sua campanha “Par!” (“A favor!”) pela independência, e o dia da votação escolhido foi 4 de Maio de 1990.

   Com o povo ansioso nas ruas e o conselho lotado de jornalistas, 138 deputados votaram a favor, 1 se absteve e os outros – visto que estavam em minoria – se retiraram da votação. Assim foi aprovada a  declaração “Sobre a Restauração da Independência da República da Letônia”. As pessoas comemoravam nas ruas, o presidente do Supremo Conselho Anatolijs Gorbunovs foi recebido com flores, e vários deputados foram carregados nas mãos do povo jubilante.

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   Na prática, reconquistar a independência não seria tão fácil. O Partido Comunista condenou a declaração e pediu a intervenção de Gorbachev – afirmando que a declaração violava a constituição soviética. Várias tentativas de desestabilizar o recém-formado governo foram feitas. As demais repúblicas bálticas estavam sofrendo a mesma pressão.

    As forças especiais soviéticas (OMON) e os setores mais radicais do regime soviético, planejavam atacar a capital Riga e acabar com o novo governo. Em 11 de Janeiro de 1991 o exército vermelho atacou a capital lituana, Vilnius. Antecipando o mesmo, o governo leto chamou o povo às ruas defender a sua capital com barricadas. Pontes foram fechadas com carros, caminhões e tratores, ruas foram entulhadas com mesas e cadeiras. Quando a OMON chegou, Riga era uma fortaleza que só seria derrubada com muito sangue. Do dia 13 de Janeiro ao dia 27 as forças estiveram em um impasse – os líderes soviéticos temiam retaliação ocidental.

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   Sem exército e estrutura – apenas com o apoio e amor do povo – a Letônia resistiu a sua última ocupação. E agora, cabe a nós defende-la dia após dia.

   Dievs, svētī Latviju (“Deus abençoe a Letônia”)

Baltā galdauta svētki

A toalha de mesa branca

    O Ministério da Cultura da Letônia convida todos a celebrarem o Baltā galdauta svētki (A Celebração da Toalha de Mesa Branca) para comemorar a restauração da independência. O objetivo é fortalecer a celebração de se reunir com família, amigos e vizinhos à mesa no dia 4 de Maio. Cada pessoa traz consigo algo para a adicionar para a festa e a mesa. A celebração é uma lembrança de como a restauração da independência foi o resultado do esforço e da união de todos os letos pelo mundo.

Grande é a nossa Liberdade – para toda a Letônia. Todos nós, as pessoas desta nação, carregamos a responsabilidade. E uma parte disto pertence a nós – pertence a de cada um.

Somos obrigados a tomar responsabilidade por nossa liberdade? Não! É um trabalho prazeroso. Assim com um jardim pode dar paz e harmonia pois você cuidou, regou e o protegeu. Assim como nós fazemos, e devemos fazer.

Nossa Liberdade nos protege, e nós protegemos nossa Liberdade

    Cada pessoa pode organizar sua celebração com sua família e grupos locais. Nós recomendamos:

  • Celebrar ao redor de uma mesa, junto de sua família, vizinhos, amigos de longe e de perto, colegas, conhecidos e comunidade.
  • Utilizar a Toalha Branca como um símbolo de união, força interna e dignidade
  • Invista seu tempo conversando, trocando memórias. Fale sobre o significado de liberdade e lembranças.
  • Documente a celebração por fmeio otos, audio, stories, vídeos – assim poderemos preservar os testemunhos do nosso 4 de Maio. Compartilhe suas recordações usando as hashtag #LV100 #briviba

   Tenha um ótimo e feliz dia 4 de Maio!

 

¹ O Supremo Conselho da República Soviética da Letônia, também chamado de Supremo Soviete. Espécie de “Câmera dos deputados” ou Parlamento das Repúblicas Soviéticas. No entanto, até o Glasnost as eleições não eram livres e as reuniões eram pouco frequentes, podendo ser até duas vezes por ano. Normalmente, o Supremo Soviete funcionava apenas para carimbar as ordens do Partido Comunista.

Filme leto da era soviética no festival de Cannes

   Četri balti krekli (“Quatro Camisas Brancas”) é um filme revolucionário, mas sutilmente crítico. Marcou uma juventude perdida pela censura soviética na Letônia. Originalmente publicado como Elpojiet dziļi (“Respire fundo”) em 1967, foi censurado e só exibido oficialmente em 1986. O filme é a marca de uma juventude não conformada e perdida para a opressão soviética na Letônia, e ironicamente retrata a censura e a proibição de obras de arte na época. Dirigido por Rolands Kalniņš, o filme é inspirado na peça Trīspadsmitā do dramaturgo leto Gunārs Priede, estrelando Uldis Pūcītis, Līga Liepiņa, Dina Kuple, Pauls Butkēvičs e outros.

   A quintessência do filme  é a busca por inovação, liberdade artística, e não-conformismo dos jovens.  A história gira em torno do jovem Cēzars Kalniņš, que é apaixonado pro música nas horas vagas, ele e sua banda “Optimisti” (Otimistas) tocam suas músicas. Em uma apresentação em um bar local, a comissária cultural (empregados do governo soviético responsáveis por “avaliar” o conteúdo das artes) Anita Sondore escreve um artigo ultrajante sobre a “frivolidade” das músicas do grupo e como eles não são adequados a juventude. A opinião de Sondere começa a mudar quando ela conhece Cēzars, mas o estrago já estava feito e seu artigo chega às autoridades. Uma reunião é feita e é decidido negar a liberdade ao grupo. O conflito é agravado entre Cēzars e seus colegas de banda, que preferem alterar o significado das músicas para aplacar as autoridades.

    O filme volta a ser estrelado na programação de clássicos do famoso festival de cinema de Cannes, em 2018, 51 anos após seu lançamento. Teóricos do cinema são fascinados pelo espírito vanguardista do filme e sua atenção as tendências dos anos 60, juntamente com o movimento francês Nouvelle Vague (New Wave).  “De uma certa forma, o fato que o filme de Rolands Kalniņš está incluso no programa dos (filmes) clássicos do festival de cinema mais importante do mundo testifica a aceitação mundial do movimento New Wave leto”, disse Dita Rietuma, crítica de cinema e diretora do Centro Nacional de Filmes da Letônia, em entrevista para a Latvian Public Broadcasting. O próprio diretor estará presente para assistir o filme

O filme completo está disponível no youtube:

Música

    A proibição do filme não foi capaz de impedir a popularidade das músicas – compostas pelo músico Imants Kalniņš no seu auge e escritas pelo poeta Māris Čaklais –  que se tornaram famosas entre os jovens da época e até inspiraram o clube de música “Četri balti krekli” em Riga. É o primeiro filme leto (e um dos primeiros de Europa) a considerar a trilha sonora e música como uma obra separada. O rock anos 60 se mistura com letras que escondem sutilezas críticas para os cidadãos conformados com a opressão da época. Preparamos uma pequena análise e tradução da música homônima do filme:

Četri balti krekli Quatro Camisas Brancas
Ja četri balti Krekli
Ir jaunam cilvēkam,
Tas iziet var caur dzīvi
Bez lielām pārdomām

Un tikai reiz pa reizei
Kāds atgādina viņam,
Ka dziesma nav par krekliem,
Bet ir par sirdsapziņām.

Tas pirmais –priekšniecībai
Kad vajag rādīties.
Un tad nu paša gribai
Vēl paliek nākamie.

Un tikai reiz pa reizei
Kāds atgādina viņam,
Ka dziesma nav par krekliem,
Bet ir par sirdsapziņām.

Balts krekls rīta pusē,
Bet melns jau pusdienā.
Bet trešais baltais krekls
Top uzvilkts vakarā.

Un atkal nezin kāpēc
Kāds atgādina viņam,
Ka dziesma nav par krekliem,
Bet ir par sirdsapziņām.

Var baltos kreklus mainīt,
Kā maina uzskatus.
Bet tad, kad vakars pienāks,
Tie visi melni būs.

Vai būs vēl kāda jēga
Tad atgādināt viņam,
Ka dziesma nav par krekliem,
Bet ir par sirdsapziņām? 

Se quatro camisas brancas
Tem o jovem
Ele pode passar pela vida
Sem muito pensamento.

E só de vez em quando
Alguém lembra ele
Que essa música não é sobre camisas
Mas sobre consciência.

A primeira – para superiores
Quando você precisa aparecer.
E então é para sua vontade
Os próximos ainda estão lá.

E só de vez em quando
Alguém lembra ele
Que essa música não é sobre camisas
Mas sobre consciência.

Camisa branca pela manhã,
Mas já preta à tarde
Mas a terceira camisa branca
Se veste à noite

E de novo não sei porque
Alguém lembra ele
Que essa música não é sobre camisas
Mas sobre consciência.

Pode mudar de camisas brancas
Como alterar as ideias
Mas a noite chegará
Todos eles serão pretos.

Haverá mais algum sentido
Em lembra-lo
Que essa música não é sobre camisas
Mas sobre consciência?

   A música traça um paralelo entre as camisas de um jovem e sua consciência ou seus princípios, e critica que há pessoas que trocam seus princípos como trocam de camisa, apenas para se favorecer. Há camisas usadas apenas para aparecer, para mostrar superioridade, há camisas que começam limpas, mas já estão sujas pelo uso, e há camisas que se vestem a noite, quando ninguém vê. De vez em quando, alguém o lembra que princípios e valores não são como camisas, mas se no final elas são todas pretas, de que adianta lembra-lo?
   Essa música reflete tanto a censura soviética e o apaziguamento dos cidadãos, que obedecem sem questionar, quanto acaba – ironicamente – criticando os colegas de banda, que desejam alterar o significado das músicas para atender à censura.

Galeria

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Crocodilo Dundee era Leto

Você já ouviu falar do Crocodilo Dundee? Não?!

Foto: Paramount Pictures

E agora?
Sim! Crocodilo Dundee foi aquele filme de ficção super famoso dos anos 80 no qual um caipirão Australiano, caçador de crocodilos e amante da natureza vai para uma viagem de férias em Nova Iorque, cometendo várias gafes e se metendo em situações super engraçadas.

E o que isto a ver com a Letônia? Tudo!

Antes de fazer a correlação, vamos voltar para o ano de 1925 no povoado de Dundaga, norte da Letônia. Dundaga é uma cidade medieval, na região da Kurzeme que data do século 13. Feche os olhos agora e imagine aquelas cidadezinhas bem medievais, com um castelo bem antigo no centro, um lago e ruelas bem estreitas que convergem para a igreja principal da cidade. Esta é Dundaga!

Foto: Gabi Strautmann
Foto: Gabi Strautmann

 

 

 

 

 

 

E foi nesta vilinha que nasceu o personagem principal do nosso artigo – Arvids Blumentals. Arvids tinha o título de Barão Arvid Von Blumental, mas após a II Guerra Mundial perdeu seu título. Em 1951, Arvids decidiu mudar radicalmente a sua vida, trocando a paz e a calmaria de Dundaga pela selvagem Austrália.

Foto: Google/Reprodução

 

Lá na terra dos cangurus, Arvids descobriu novos talentos: lavar minério de ouro, pescar, caçar cangurus e o mais impressionante… caçar crocodilos com as mãos!
Reza a lenda que Arvids matou mais de 10.000 crocodilos em 13 anos de “carreira’’. Como seu nome era bem diferente e com fonemas inexistentes no inglês, lá pelas bandas dos coalas, Arvids tornou-se Harry. E assim nasceu um personagem – Crocodile Harry.

 

E as excentricidades de Harry não pararam por ai! Sua casa era chamada de “Ninho do Crocodilo Harry’’. No ninho do Harrys havia várias cartas de amor pregadas nas paredes, além de numerosas calcinhas (isso mesmo, calcinhas!) de mulheres que o admiravam. Ele era tão criativo que fez vários grafittis tribais e fez várias esculturas estranhas tentando expressar suas fantasias e pensamentos. Dê uma olhada:

Foto: Google/Reprodução

Voltando ao título do nosso artigo, tudo leva a crer que os autores de Hollywood se inspiraram no nosso Crocodille-leto- Harry para fazer o filme Crocodilo Dundee. Hoje, quem visita Dundaga pode ver uma enorme réplica de crocodilo bem em frente à casa onde Harry morava. A casa funciona como museu e tem várias informações e utensílios do seu ilustre ex-morador.

E aí, gostou dessa história? Tem algo interessante pra contar sobre o Harry? Já visitou o museu dele em Dundaga? Conte pra nos!

Um abraço e até mais!

Revisora: Claudia Klava

Biblioteca da Letônia está entre as melhores do mundo

Também conhecida como Gaismas Pils (Castelo de Luz), a Biblioteca Nacional da
Letônia (Latvijas Nacionālā bibliotēka) é um orgulho para os cidadãos do país.
Converse com algumas pessoas em Riga sobre como chegar lá e você sentirá a
reverência que os locais têm pela biblioteca. Letões têm grande respeito por livros e
leitura. Talvez seja um resquício do passado de dominação soviética, quando alguns
livros eram censurados e difíceis de conseguir. Hoje os letões têm à disposição no
Castelo de Luz – nome sugestivo –, 4,5 milhões de títulos.

Foto: Indriķis Stūrmanis
Foto: Ieva Lūka

No ano em que o país completa 100 anos de independência, a Biblioteca da Letônia, que
foi fundada em 1919, um ano após a proclamação, está entre as finalistas do prêmio de
melhor biblioteca do ano promovido pela Feria do Livro de Londres (London Book
Fair) em parceria com a Associação de Editores do Reino Unido. Ela concorre com
outras três bibliotecas: da Noruega, da Dinamarca e de São Paulo, que foi aberta em
2010, na área da antiga penitenciária do Carandiru e que conta com um acervo de 43 mil
títulos.
Mas a intenção da London Book Fair é premiar bibliotecas que, muito mais que títulos,
ofereçam um incentivo a mais à leitura e à cultura. Na Biblioteca da Letônia, os
usuários têm acesso a coleções especiais, livros raros, manuscritos, coleções,
Enciclopédia da Letônia, Biblioteca Central Báltica, mapas, partituras, gravações de
som, publicações gráficas, efemérides e periódicos, além de promover eventos culturais,
como música, teatro e exposições.
A biblioteca também publica livros e organiza a digitalização da Herança Cultural da
Letônia. Sem contar que ela abriga um tesouro nacional: o Armário de Canções
Populares (Dainu skapis), localizado no quinto andar e que contém manuscritos de
canções folclóricas de toda a Letônia, estando listado no Registro da Memória do
Mundo da UNESCO.

Dainu Skāpis.
Foto: Evija Trifānova

Essas canções folclóricas, conhecidas como Latvju dainas, foram organizadas e
coletadas por Krišjānis Barons (1835-1923) e por Johann Gottfried Herder (1744-1803).
As canções mais antigas datam de 1584 e 1632. Existem mais de 1,2 milhão de Dainas,
com referências que vão desde peças teatrais até conversas do dia a dia.
História
A Biblioteca Nacional foi fundada em 29 de agosto de 1919. O prédio original ficava na
rua Krišjāņa Barona, no centro da cidade de Riga. Hoje o prédio moderno da nova
biblioteca fica na margem esquerda do rio Daugava,
A construção do prédio novo começou em 2008. O design surpreendente foi
desenvolvido pelo arquiteto letão-americano, Gunnar Birkerts. A Biblioteca tem 13
andades e 68 metros de altura. O prédio ficou pronto em 2014, ano em que a Letônia foi
a representante da Capital Europeia da Cultura.
Uma nação de leitores

Foto: Mirela Purim
Foto: Lucas Stepanow Eksteinas
Foto: Mirela Purim

 

A Letônia é a 9ª nação mais letrada do mundo, de acordo com pesquisa da Central
Connecticut State University, em 2016. Os cinco primeiros lugares são ocupados pelos
países escandinavos: Finlândia, Noruega, Islândia, Dinamarca e Suécia. O ranking mede
os comportamentos letrados (compreensão) das populações pesquisadas e não suas
habilidades de leitura (alfabetização).
Nesta mesma pesquisa, a Letônia ficou em segundo lugar na categoria Bibliotecas da
classificação por seu grande número de bibliotecas e o número de volumes dentro delas.
Além da Biblioteca Nacional, a Letônia tem 1.670 bibliotecas:
O resultado do prêmio para a melhor biblioteca do ano será anunciado no dia 10 de abril.

Serviço
Endereço: Mūkusalas iela 3, Rīga

Contato: lnb@lnb.lv
Horários (fechada nos feriados)
segunda-feira 09:00–20:00
terça-feira 09:00–20:00
quarta-feira 09:00–20:00
quinta-feira 09:00–20:00
sexta-feira 09:00–20:00
Sábado 10:00–17:00
Domingo 10:00–17:00

Visitantes que não têm cadastro na biblioteca devem pedir autorização para entrar.
Turistas devem pagar entrada de 2 Euros e podem visitar a biblioteca acompanhados de
guia. É proibido entrar na biblioteca com bolsas e mochilas, que devem ser deixados
nos armários ao custo de 1 Euro.

Conheça a Biblioteca Nacional da Letônia por meio de um Tour virtual pelo link: http://ture.lnb.lv/

e através das fotos abaixo.

Foto retirada do site da Biblioteca Nacional.
Sala de Leitura de Ciências Humanas e Sociais.
Foto retirada do site da Biblioteca Nacional.
Foto: Indriķis Stūrmanis
Foto: Jānis Dripe
Vista da biblioteca nacional para o rio Daugava e a cidade velha de Riga. Foto retirada do site, BNN Baltic News Network.

Essa é parte da história – Uma entrevista com V.A. Purim

Ninguém que viu os verdadeiros primórdios do Rio Novo está vivo para contar a história, mas para quem está disposto a ouvir resta o mais inusitado e rico dos testemunhos.” – Paulo Brabo

Em uma pequena e calma chácara localizada nos arredores de Curitiba, cercada de flores e livros – alguns desses mais que centenários – um homem apenas cuida do maior acervo de fotos e cartas dos letos no Brasil. Esse homem é Viganth Arvido Purim. Com muito zelo e diligência, seu trabalho de organizar, escanear e traduzir cartas, documentos e fotos durante anos foi o que possibilitou que muitos brasileiros hoje pudessem encontrar seus antepassados.

Nascido em 1933 na primeira colônia leta no Brasil – Rio Novo (SC), fundada em 1889 – Arvido é o segundo de 7 irmãos. Já cedo ajudava seu pai na roça e participava da sociedade da colônia. Só veio a aprender português tardiamente, e até hoje conserva seu cantado sotaque catarinense. Ele saiu de Rio Novo em 1953, quando foi sozinho trabalhar como ajudante de mecânico em Urubici. Ele, com sua dedicação, avançou nos postos da garagem, e depois das empresas, se aposentando como Gerente Regional de Peças pela General Motors. Suas viagens de trabalho possibilitaram que ele conhecesse muitos outros letos espalhados pelo Brasil.

Desde 2009, ele mantém o blog rionovo, onde consegue publicar posts sobre cartas, atas, livros, fotos e acontecimentos da colônia – que através de muita dedicação traduziu do leto original. Fomos a sua chácara conversar sobre sua experiência com a conservação e divulgação dessas memórias.

Arvido e sua esposa, Edith

Entrevista

Letônia Brasil – Você é o criador do blog rionovo.wordpress. Quando ele foi criado? E por qual razão? Quantas publicações já?

Viganth Arvido – Graças aos meus filhos e outros, consegui aprender a mexer nessas coisas informáticas, e foi aí que comecei a montar algo parecido com a história dos letos de Rio Novo. Comecei a trabalhar nisso por volta de 88 e 89 e depois gostei muito mais de guardar no computador, pois é mais limpo e fácil de achar digitalmente. Não sei quantas publicações, nunca contei, mas por volta de 618. Para mim, o blog é o defensor dos letos no Brasil e defensor da memória da colônia de Rio Novo.

LB – Como as cartas foram guardadas? E onde estão agora? E os livros e atas?

VA – Infelizmente muita coisa foi perdida. Meu pai e meu tio Reynaldo guardavam tudo, mas olha, gostaria de ter guardado mais. As cartas hoje estão lá em Riga (Capital da Letônia), no Arquivo Nacional, lá eles trabalham com cuidado e são especializados para isso. Há os livros e atas da igreja, da juventude, da sociedade missionária, há revistas e jornais antigos também.

LB – Parece que, conforme você pesquisou e criou o blog, descobriu ainda mais coisas não só sobre a Letônia mas como várias outras curiosidades; qual foi a coisa mais inusitada que já aconteceu?

VA – Um belo dia, eu estava em um Congresso Leto em Nova Odessa sentado do lado de fora da igreja quando um Anderman idoso (que eu nem conhecia) perguntou meu nome e disse que havia algo para me dar – nessa época o blog nem tinha começado. Ele me deu um calhamaço de cadernos da história completa da família Anderman, contando desde a chegada do Karlis Anderman em Rio Novo até a ida do filho dele, Júlio Anderman, para a guerra na Itália (com a Força Expedicionária Brasileira). Ele disse “guarde bem isso”. Bom, alguns já estão publicados no blog.

LB – Como eram as notícias recebidas da Letônia independente?  E sobre a ocupação soviética (1940-1941 e 1944-1991) na Letônia, como eram as notícias que chegavam?

VA – Os imigrantes já trocavam cartas desde que chegaram (1889) até 1917. Durante a guerra (primeira guerra mundial e guerra da independência) sabíamos que a Letônia passou por apuros e muitas pessoas perderam suas casas e famílias. Na mesa de refeição meu pai falava para comer tudo pois haviam crianças passando fome na Letônia. Soubemos da ocupação soviética por jornais (de cunho comunista) que agora a Letônia havia sido “retomada” (invadida na segunda guerra) pela União Soviética e falavam da estatização das fazendas, mas nós sabíamos que não era bem assim, as cartas chegavam ao Brasil censuradas e inclusive um dos primos do meu pai desapareceu e nunca mais respondeu as cartas. Além disso, os letos que conseguiram fugir da ocupação e foram para os Estados Unidos e Brasil “sentavam o pau” sobre os invasores.

LB – Durante grande parte do século XX, os letos no Brasil ficaram sem contato nenhum com a Letônia. O que você achou disso? Foi muito prejudicial para a comunidade?

VA – Muito. Muitos dos descendentes que nasceram depois não aprenderam a falar leto e nem sabiam direito onde era a Letônia. As pessoas hoje ficam impressionadas que eu ainda falo em leto, quase como se fosse um herói. Estávamos sem esperança de ter um contato maior, mas sempre que eu podia ler algo em leto, eu lia.

LB – E agora sobre a Letônia em si. Antes dela ser independente, qual era sua ideia sobre ela? Como você achava que era a vida lá?

VA – Por volta do final dos anos 80 havia uma agitação nos países da cortina de ferro contra a ocupação soviética e eu tinha esperança que a Letônia entrasse na jogada. A primeira vez que eu vi um vídeo de uns letos de São Paulo que conseguiram ir visitar a Letônia nessa época, quando eu vi o primeiro leto falando em leto eu pensava “puxa vida, eles existem mesmo!”. Se não duvidar, eu ainda tenho a fita (VHS) dessa primeira viagem.

Arvido em frente ao Monumento da Liberdade, em Riga

LB – Sua primeira visita (à Letônia) foi em 2014. Como foi voltar para a terra dos seus ancestrais?

VA – Gostei de tudo. O meu maior problema foram os taxistas russos, mas mesmo asssim depois eu ligava para eles e eles já exclamavam “Arvids! Arvids!”.  Eu lembro quando desembarquei em Amsterdã para fazer a conexão e quando cheguei no guichê para Riga eu já escutava eles falando em leto, rindo em leto! Mas eu realmente fiquei emocionado, era uma sensação diferente. O museu da ocupação na Letônia me deixou muito atordoado também.

LB – E os letos no brasil hoje? Como você vê a comunidade e os jovens letos do século XXI?

VA – Eu fico animado, algumas pessoas realmente se sobressaem em resgatar e cuidar da memória dos letos hoje. E eu fico feliz que meu trabalho possa ser bem utilizado.

Link para o site rionovo.wordpress: https://rionovo.wordpress.com/

Castelo de Bauska

Caminhar pela cidade letã de Bauska, que fica a 66 quilômetros da capital Riga, é como entrar em um livro de História: a cidade ainda preserva casas centenárias de madeira e construções do período soviético. Eu estava indo para o Castelo de Bauska (Bauskas Pils), construído no século 15 pelos alemães da Ordem da Livônia, um ramo da Ordem Teutônica militar medieval. No caminho passei por um parque cheio de flores e um memorial em homenagem às vítimas do regime soviético.

Parte restaurada do castelo

Enquanto caminhava, podia ver a minha direita a bela vista de onde os rios Mūsa e Mēmele formam o rio Lielupe. Continuei caminhando até finalmente poder ver no topo da colina verde a parte recentemente restaurada do castelo, que estava pintado com diferentes tons de bege: lindo e sóbrio. Por trás, as ruínas do castelo antigo formam um magnífico contraste. Antigamente havia uma fortaleza dos Semigalianos (um dos povos originais do Báltico) no topo da mesma colina. O Castelo de Bauska começou a ser construído entre 1443 e 1456. A construção continuou até o final do século XVI.

Rio Lielupe que corre através da colina

Eu estava tomando café em um copo de papel para me esquentar do frio, mas ele mesmo acabou ficando frio: esqueci-me de continuar tomando de tão animada que fiquei com a vista. As paredes da parte não restaurada estavam em ruínas colapsadas; elas certamente foram atingidas com muita força. Eu podia ver os buracos de onde os defensores podiam disparar flechas. O castelo e a cidade sofreram fortemente nos séculos 17 e 18 durante a Guerra Polonesa-Sueca e a Grande Guerra do Norte. Uma grande torre de vigia, paredes grossas, uma prisão, escadas estreitas… Está tudo lá formando uma beleza desgrenhada capaz de fazer um amante de História tremer de entusiasmo. Depois de uma longa subida, passei muitos minutos na torre, respirando o ar frio e tendo uma visão completa do castelo e de seu complexo abaixo. Eu estava sob uma bandeira da Letônia dançando ao vento. Cheguei a imaginar os exércitos ao redor daquela colina. Quando fui embora, olhei para trás para ter uma última visão do castelo.

Colina do Castelo Velho
Pátio do Castelo Velho

O pôr do sol estava sobre mim e eu podia sentir o cheiro de grama pisada debaixo dos meus pés. A última imagem permanece em minha mente: 457 anos desde o fim da Ordem da Livônia, a bandeira nacional da Letônia treme em cima da torre, um reconfortante sinal de liberdade.

 

Castelo Velho


Informações úteis 

Bauska
Distância de Riga: 66 km
Somente ônibus vão para Bauska. Tem ônibus para lá diariamente, geralmente de meia em meia hora. De Bauska para Riga também tem ônibus diariamente.
Para consultar horários: www.autoosta.lv
Preço ida: 3.05 € (euros)
Duração da viagem: 1 hora e 15 minutos
Endereço da estação: Slimnīcas iela, 11. A estação de ônibus fica a 2 km do castelo.

Castelo de Bauska
Endereço: Pilskalna iela, 40
Mais informações: www.bauskaspils.lv
Idiomas oferecidos nas visitas guiadas: Inglês, letão, russo e alemão
Horários de funcionamento:
De maio a setembro: de segunda a domindo, das 09h00 às 19h00
Outubro: de segunda a domingo, das 09h00 às 18h00
De novembro a abril: de terça a domingo, das 11:00 às 17:00
Preço: 4.00 € (euros)
Aceitam dinheiro e cartão

 

Fotos: Autora
Revisão: Cláudia Klava