A República do Mar

Normalmente quando se pensa em dias importantes para a Letônia, datas como o 4 de maio ou 18 de Novembro vem à mente – cada uma com seu devido mérito. Apesar do pequeno amor público pela data – e nem contar no calendário de feriados – 16 de Abril é o aniversário de um jogo de intrigas políticas, traições e um golpe de estado que definiriam o rumo da Letônia e da Alemanha.

Por três anos a Letônia foi linha de frente entre o império Russo e a Alemanha, dividida por trincheiras e assolada por destruição. Desde 1915 o lado sul do Daugava estava quase inteiramente em controle alemão, enquanto os letos e russos lutavam para evitar que a infantaria teutônica atravessasse o rio.

Soldados letos em trincheiras, no inverno de 1916.

Repentinamente – para os soldados nas trincheiras –  o Czar e o governo imperial russo foram derrubados por uma revolução socialista em 1917. Quase da noite para o dia, a Rússia sai da guerra e assina um tratado de paz com a Alemanha, em  março de 1918,  cedendo todo o leste europeu. Agora parte da região conhecida como Ober Ost, a Letônia estava sob um regime de ocupação militar alemã. Entretanto, Isso veio por terra em 11 de Novembro de 1918, com o fim da Primeira Guerra Mundial e a rendição do Império Alemão. Agora, toda a região acabava de se tornar uma terra de ninguém.

A Invasão Soviética

Em 18 de Novembro de 1918, o Conselho do Povo (Tautas padome) – até então uma organização clandestina formada por diversos grupos políticos letos – declarou a independência da Letônia. O Governo Provisório da Letônia tinha  Karlis Ulmanis como primeiro-ministro e Janis Čakste como presidente. A declaração foi bem vista aos olhos da comunidade internacional – principalmente dos vencedores da guerra, França e Inglaterra – entretanto, a Alemanha e a recém-criada União Soviética estavam determinadas a recuperar as terras perdidas. A todo custo.

No dia 1º de Dezembro de 1918, a União Soviética invadiu a Letônia. O Governo Provisório ainda não possuía exército e as tropas soviéticas avançaram rapidamente, capturando todas as cidades até Riga em 3 de Janeiro de 1919. A ameaça fez com que a Inglaterra e França assinassem um acordo com a Alemanha derrotada para manter as suas tropas na Letônia – e assim impedir que a União Soviética avançasse para o coração da Europa. Após 4 anos como inimigos, a Alemanha e a Letônia agora estavam em uma aliança frágil.

Em Laranja, o território controlado pela Letônia e Alemanha, em Rosa, pela União Soviética.

Em fevereiro de 1919, o território sob controle da nova aliança estava restrita apenas a região de Liepaja, mas logo o Governo Provisório começou a mobilizar o exército leto. No sul, foi formada a Primeira Brigada, sob comando do general Oskars Kalpaks. Ao norte, com ajuda do governo da Estônia (também lutando contra os bolsheviques), a Segunda Brigada Independente foi formada com refugiados letos.

A Primeira Brigada e as tropas alemãs, começou o contra-ataque em 3 de Março de 1919, reconquistando quase todo o sul até o final de março. Todavia, no dia 6 de março, um sentinela alemão confundiu o general Kalpaks com um soviético, e ele foi morto a tiros. Kalpaks foi substituído pelo general Janis Balodis, mas a precária aliança se esvairava.

As Caveiras Alemãs

Ao mesmo tempo, a nobreza alemã começou a tramar para derrubar o novo governo leto. Para eles, a ideia de perder as terras e riquezas nas terras bálticas, que possuíam há quase 800 anos, era algo inadmissível. Segundo as próprias memórias do General Goltz:

Também deve ser levado em conta que a elite alemã local assume uma posição que reflete sua história, bem como seu significado econômico e espiritual, sem o qual nada de uso teria vindo desse país selvagem. […] Uma Rīga e Jelgava governada por letos era algo impensável, reacionário

Rüdiger von der Goltz

Essa força criada pela elite alemã local ficou conhecida como Baltische Landeswehr, subordinado ao VI exército alemão, sob comando do infame general Rüdiger Von der Goltz. As fileiras logo foram enchidas com mais soldados alemães, muitos que voltaram para casa após a primeira guerra mundial e estavam desempregados, outros, movidos pelas promessas de terras e riquezas. Logo também chegaram as milícias paramilitares Freikorps, ex-soldados que haviam se tornado mercenários.

Insignia da Divisão de Ferro, a Freikorps na Letônia

O General Goltz planejou um golpe meticuloso. A princípio, ele espalhou rumores de uma suposta insurreição bolchevique que logo ocorreria em Liepāja. Para evitar isso, unidades voluntárias de soldados alemães foram trazidas para a cidade, comandados pelo jovem (e radical) tenente Barão Hans von Manteuffel.

Em 13 de abril, em Liepāja, soldados alemães começaram a provocar os letos com o objetivo de causar confrontos armados. Goltz tinha um plano único – com tiroteios começando na cidade, ele teria o direito de usar suas forças para “garantir a ordem pública”, o que significaria desarmar as unidades letas e prender o governo depois de considerá-lo “bolchevique”. Mas os soldados letos não responderam à provocação dos alemães e o dia 16 de abril começou com um clima de suspense.

Goltz sabia que a possível resistência letã ocorreria em Kurzeme e Zemgale, onde estavam cerca de 4 mil soldados letos. A brigada do coronel Jānis Balodis era a unidade mais forte, mas ela estava na frente de batalha, em Kalnciems. No início de 16 de abril, o major alemão Alfred Fletcher passou o dia inspecionando as posições da Brigada. O chefe político de Landeswehr também chegou inesperadamente no mesmo dia, enquanto um pastor alemão se encarregava de liderar o culto. O coronel Balodis e seus soldados deveriam ser monitorados durante o golpe.

Soldados da Freikorps em 1919.

O Governo Provisório Escapa

Aleksandrs Plensners, um oficial de alta patente do Exército da Letônia, relembra o dia:

Quando nos apressamos a trabalhar no dia 16 de abril, a cidade parecia estranha. tanques de guerra pesados , prontos para disparar a qualquer momento, estavam passando pelas ruas. Foi a mesma cena que havíamos visto em Liepāja quando Goltz desmantelou o conselho dos soldados. Um trem blindado estava estacionado ao lado da ponte, com armas viradas contra a sede do governo, tentei ligar para Durbe, Aizpute, Jegava, nada, as comunicações foram cortadas.

Fui ao Primeiro Ministro relatar isso. Ādolfs Bļodnieks, um ajudante-de-campo das forças armadas, correu para dentro dizendo que o batalhão Foefer havia atacado seu quartel-general, matando soldados, com desarmamento e prisões sendo realizadas. Ele tinha saído e correu para informar isso. Entramos no escritório do Primeiro Ministro. (Ulmanis) diz imediatamente: “Vamos” e me pediu para levar outros oficiais bem armados comigo.

Então fomos, Ulmanis, o médico [Mielis] Valters, o coronel [Zamels] Adienis, eu, bem como Lūkins e Bļodnieks. Quando saímos, Ulamnis perguntou se tínhamos alguma arma. “Sim, nossas pistolas eram visíveis”.

Por volta das 13 horas, Ulmanis e sua comitiva foram ao general Goltz e passaram 90 minutos em discussões acaloradas, mas infrutíferas. Durante este tempo, as unidades alemãs realizaram um golpe atacando unidades do exército letão e instituições do Estado. Os autores mataram alguns soldados letões e desarmaram algumas centenas de soldados. Ulmanis conseguiu escapar, mas os alemães prenderam o Ministro do Interior Miķelis Valters e o Ministro da Agricultura Jānis Blumbergs. Vários membros do Conselho do Povo da Letônia foram presos, juntamente com o prefeito de Liepāja, Ansis Buševics. Paradoxalmente, os alemães conseguiram deter os ministros com os quais Goltz simpatizava, mas aqueles que ele achava que eram germanófobos – Jānis Zālītis e Jānis Goldmanis – conseguiram escapar.

O ministro da Defesa, Jānis Zālītis – que estava voltando da frente naquela época – foi avisado sobre o golpe em uma estação de trem. As unidades militares da Letônia sob o comando do Coronel Jānis Apinis estavam se preparando para a batalha. Os letões conseguiram afastar o ataque alemão contra Durbe em 17 de abril.

A República do Mar

Os ministros do governo que conseguiram escapar subiram a bordo do barco a vapor de Saratov, estacionado no porto. Durante dois meses e meio, todo o território da República da Letônia era apenas o convés de um pequeno navio navegando no báltico, por vezes referida como a “República do Mar”. De lá, o governo coordenava o contra-ataque.

Após o golpe, o chamado “Comitê de Segurança do Exército da Frente de Pátria” assumiu o poder, liderado pelo o promotor Oskars Borkovskis e Andrievs Niedra, mas ninguém se enganava que por trás isso estava o general Goltz.

Entretanto, as coisas começaram a falhar conforme Goltz se emaranhava em tentar fazer  o novo governo viável. Ao mesmo tempo, tentava publicamente se afastar do golpe (e das condenações da Inglaterra e França). Além disso, o general Balodis recusava se render e manteve sua lealdade ao Governo Leto, logo também o comandante alemão Lieven.

Depois de estabelecer o novo governo, Goltz estava finalmente em condições de realizar um ajuste de contas contra as unidades de Apinis perto de Liepāja. Ele enviou tropas para supostamente “reprimir uma revolta”. Em 28 de abril, os alemães invadiram Rudbārži e Skrunda, com o coronel Apinis preso. Em 30 de abril, o último bastião, Durbe, foi ocupado, significando que o golpe estava completo. Logo as unidades alemãs avançaram sob outras cidades, eliminando nacionalistas letos e outros elementos “perigosos”, chegando a quase 3 mil execuções em Riga apenas. Ironicamente, o Barão Manteuffel morreu antes de conseguir entrar na cidade.

Após capturar Riga, o exército alemão – ao invés de seguir para o leste e combater os soviéticos na Letônia, conforme a Inglaterra e França esperavam – decidiu rumar norte, contra a Estônia e a Segunda Brigada leta. Essa mudança fez com que a comunidade internacional percebesse que os objetivos alemães no báltico era de conquista, ao invés de combater os soviéticos.

As tropas alemãs seria derrotadas pela Estônia e a Segunda Brigada em Cesis, no dia 19 de Junho de 1919. Abrindo caminho para a batalha mais decisiva da guerra da independência, o Lāčplēša diena, em dia 18 de Novembro de 1919.

Conclusões

Goltz, ao centro, em 1918.

O golpe do dia 16 de Abril foi decisivo para a história da Letônia. Havia ficado claro para todos que a recém-nascida Letônia iria lutar uma ferrenha guerra para se manter viva, seja contra a União Soviética, seja contra a Alemanha – ganhando respeito da comunidade internacional. Além disso, os próprios letos começaram a ver em seu governo um espírito resiliente e passaram a expressar seu apoio inabalável e logo foram tomando em armas para defender a independência da Letônia.

A Alemanha e seus aliados ficaram presos em um lamaçal político na Letônia até sua total derrota em 11 de Novembro de 1919. Muitos dos mercenários voltaram para casa de mãos vazias, insatisfeitos, e violentos. Para os alemães, o leste europeu era uma terra de ninguém que deveria ser conquistada – ou exterminada. Muitos dos soldados que participaram do golpe depois se tornaram oficiais nazistas, e a mentalidade de invadir a região veio a se tornar a Lebensraum de Hitler.

Quase 20 anos depois, ambas União Soviética e Alemanha nazista invadiriam a Letônia, durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Do Gulag ao Nobel: Lidija Doroņina-Lasmane

Isto é o mais sagrado,
Não se esqueça:
Ascendendo ao céu,
Ou mergulhando nas profundezas do mar,
Dividindo a alegria com os amigos,
Ou enfrentando seus oponentes sozinho,
Você é a Letônia.
– O.Vācietis

   Sentada em sua sala, rodeada de livros e desenhos de crianças, uma senhora de grandes e expressivos olhos azuis recita, com uma voz calma e pausada, poesia para seus netos. Assim como o livro de poesia de Ojārs Vācietis, acomodado em seu colo, ela também havia sido censurada. Suas mãos rudes – fruto dos Gulags soviéticos – seguram-o com terneza, quase como se abraçassem centenas de velhos amigos, perdidos pelo totalitarismo.  

   Essa senhora de olhos azuis e voz calma é Lidija Lasmane-Doroņina. Apesar de não gostar muito dos holofotes – prefere livros e netos – há poucos na Letônia que não a conheçam. Foi a protagonista do documentário “Lidija” (2017), de Andrejs Verhoustinskis.

A Família e a Guerra

   Lidija nasceu em 28 de julho de 1925 na bucólica vila costeira de Ulmales. Sua família era batista, com três irmãos (um veio a falecer cedo) e ela cresceu em uma atmosfera de amor, que moldaria seu caminho pelo resto da vida. Lidija se batizou na igreja batista de Saka aos 13 anos, um ano antes da Segunda Guerra Mundial.

   A região de Ulmales, Kurzeme, é igual a vila descrita: plana, campestre, bucólica. Mas não seria assim por muito tempo. Em 1940, a Letônia foi ocupada pela União Soviética, que logo começou as deportações em massa de elementos “contra-revolucionários”: políticos, pastores, professores e quem mais pudesse desafiar a nova ordem.

   A situação mudou novamente quando a Alemanha Nazista invadiu a União Soviética em 1941 – e com ela, a Letônia – trazendo seus aparatos de censura, perseguição e execução.

   “No outono, os nazistas vieram  e abateram todos os judeus de Pavilosta quase na frente dos nossos olhos. Havia também meus colegas de escola, a garota com quem eu brincava. Eu percebi que [o totalitarismo] era uma insanidade tão grande que se tinha que abandonar uma parte de si mesmo, sob nenhuma circunstância deveria sucumbir a ela”,  relatou Lidija ao compartilhar suas memórias.

   Em 1944, 200.000 tropas alemãs, recuando após sucessivas derrotas no front, foram cercadas pelo Exército Vermelho em Kurzeme. Sem ter para onde recuar, as tropas nazistas e o exército soviético transformaram a região em uma zona de total desolação e destruição.

A Ocupação

   A jovem Lidija decidiu que faria de tudo para salvar vidas. Em 1946 começou a estudar em uma escola de enfermagem em Riga. Nessa época, a União Soviética, após ocupar novamente a Letônia, continuou com a “limpeza” de opositores. Em novembro do mesmo ano, Lidija e sua família foram presas por abrigarem e fornecerem curativos para um grupo de letos que resistiam à ocupação.

   “Eu cresci na velha Letônia, formada com meu país e seu espírito. Eu não podia aceitar ocupação, era inteiramente contrária a minha natureza. Esses grandes países não tinham o direito de nos conquistar. Deus deu a cada um a sua terra onde morar e servi-lo.”

   Lidija e sua família foram levadas pelo serviço secreto soviético, a Tcheka (precursora da KGB) para serem interrogados na sede do serviço em Riga, na stūra māja. A jovem de 21 anos foi condenada a, no mínimo, 5 anos de prisão e mais 3 de retenção de direitos por “traição à pátria”. Seu pai foi condenado a 10 anos e sua mãe, 3 anos em um hospital psiquiátrico.

   Durante os primeiros anos de prisão, Lidija era obrigada a carregar troncos, e ficou doente com tuberculose e quase morreu. Em 1951 foi transferida para a infame prisão de Vorkuta, o maior campo de trabalhos forçados da União Soviética, onde os inimigos e dissidentes políticos eram obrigados a minerar carvão. Em 1953, o ditador soviético Stalin morreu e seu sucessor, Krushev, concedeu perdão a alguns presos políticos, entre eles, Lidija.

 

A Traficante de Livros

Lidija com alguns dos livros proibidos.

   Lidija retornou a Letônia, mas não tinha lugar para morar; sua família havia perdido tudo. Nos anos seguintes, começou a guardar e redistribuir livros que haviam sido proibidos pela censura, o que a levou a ser presa novamente em 1970. Passou dois anos na prisão feminina de Riga. “Quando fui presa, não tive medo, pois defendia algo justo. Eu tinha certeza de que eles estavam errados. Mas havia a sensação de que havia muito a se fazer, muito a planejar, mas eu estava lá, sem sentido”.

   Após sair da prisão, continuou seu trabalho com fervor ardente, recolhendo não só músicas, livros e filmes proibidos, como também memórias de outros prisioneiros políticos e exilados.

   Sua resistência trouxe a polícia secreta mais uma vez até sua porta na manhã de 6 de janeiro de 1983. Lidija reconta que o jovem que a interrogou sobre o livro que havia distribuído, Piecas Dienas (do escritor Anšlavs Eglītis), era também um leto: “O investigador me disse ‘Está escrito aqui, e você o leu e divulgou, como se a Letônia estivesse ocupada, como se em 1941 tais e tais pessoas tivessem sido deportadas. O que você pode dizer sobre isso?’ Eu digo a ele, ‘o que devo dizer sobre isso? Somos dois letos. Você não nasceu ontem e sabe bem que a Letônia está ocupada.’ Mas ele não tinha nada para dizer.”

   Lidija foi detida novamente e deportada para a Mordóvia, onde dividiu cela com outros criminosos, prostitutas e ladrões, mas nada disso jamais a fez perder a esperança. No natal, ela e outros prisioneiros cortavam panos verdes para simular pinheiros e todos os prisioneiros entoavam os hinos que lembravam. “Eu nunca senti ódio por aqueles que me torturaram. Absolutamente não. Fiquei com vergonha deles porque me humilharam”, conta Lidjia.

   Em 1987, Lidija e outros prisioneiros foram perdoados no Glasnost de Gorbachev. Lidija visitou a Suécia e viu centenas de refugiados letos cantando hinos proibidos e segurando fotos de prisioneiros políticos, inclusive fotos suas.

A Vitória

   Depois da independência, Lidija começou a visitar antigos lugares da KGB e recolher documentos de assassinatos e execuções. Ela conta que uma vez achou entre os documentos a foto do delator que possibilitou sua prisão: “como pode fazer isso? Ele morreu e eu não pude saber. Se pudéssemos falar, poderíamos nos reconciliar. É fácil perdoar na mente, mas, para sentir isso no coração, foi necessário tempo”.

   Lidija participou ativamente do Centro de Documentação do Totalitarismo, atendendo também outras vítimas de perseguição. Em 1994, ela foi premiada com a Ordem das Três Estrelas (Triju Zvaigžņu ordenis) pelo seu trabalho, mas decidiu recusar. Segundo ela, há prêmios muito maiores do que medalhas.

   Participou também do trabalho “Akcija dzīvībai”, em que atendia mulheres afligidas com gravidez indesejada, muitas vezes sofrendo também de depressão e estigma social. Por sua luta contra totalitarismo e seus trabalhos, Lidija é uma das indicadas para o prêmio Nobel da Paz de 2018.

   “Hoje posso cantar de coração: Dievs, svētī Latviju! Eu tenho uma filha e três netos, mas também inúmeros outros ‘netos’ pelo mundo que buscam justiça. Eu tenho uma igreja maravilhosa, e moro em um país livre, a Letônia. Espero que agora as pessoas aprendam a amar uns ao outros, não importem as circunstâncias. E espero que aqueles que estão no poder saibam usá-lo com sabedoria”.

Lidija em sua igreja em Riga, a Mateja Baptistu Draudze

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Trechos retirados do periódico “Tikšanās”, de dezembro de 2001 a janeiro de 2009. Traduzidos livremente por Andreis Purim.

Leia também nosso artigo sobre o Livro “Eu queria tanto ainda viver”