Festa Ligo 2017 em Nova Odessa

      No dia 24 de Junho os letos do Brasil celebraram o Ligo em Nova Odessa com muitas músicas, danças e uma excelente gastronomia. Por volta das 16:00 turistas de São Paulo visitaram o local da Festa e puderam aprender mais sobre a Letônia e em especial sobre a festa Ligo através de uma palestra que a presidente da DAKLA, Renate de Carvalho Albrecht apresentou. Após a palestra o grupo aprendeu algumas danças típicas e pode experimentar algumas delicias da culinárias leta.

Turistas de São Paulo aprendem danças típicas. Foto: Gabriela Liepkaln

     Vários jovens ajudaram na organização da festa, uma equipe estava na entrada para receber os convidados, outros ajudaram na organização do pessoal na dança e em outras atividades. Muitos dos jovens vestiram trajes típicos letos que encomendamos com uma costureira do Brasil.

Alguns dos jovens que ajudaram durante a festa Ligo 2017. Foto: Gabriela Liepkaln

     Da mesma forma que nos outros anos, nós escolhemos uma pessoa que se destaca pela trabalho na comunidade Leta para acender a fogueira. O Elmars Kivitz foi o escolhido esse ano devido a sua contribuição para preservação da história dos letos no Brasil e difusão da cultura da Letônia.

Todo ano uma pessoa é escolhida para acender a fogueira, em 2017 o homenageado foi o Elmars Kivitz que sempre tem trabalhado para preservar a história e difundir a cultura leta no Brasil. Foto: Gabriela Liepkaln

 

Músicas e danças

     Quem animou a festa foi a Ilze Farte e Matiss Uskans. Eles não se tocaram músicas letas como também puderam ensinar o público novas danças que a maioria não conhecia. Além de tocarem na festa Ligo a dupla também se apresentou em Escolas de Nova Odessa e no festival de inverno de Monte Verde. A vinda da dupla ao Brasil só foi possível graças ao Ministério da Cultura da Letônia (LR Kulturas ministrija) e a PBLA (Pasaules Brivo Latviesu Apvieniba) através do projeto de celebração do centenário da Letônia.

Publico dança animado ao som da dupla Ilze e Matiss da Letônia. Foto: Paulo Vieira
Ilze ensina novas danças durante a festa Ligo 2017. Foto: Paulo Vieira.
Matiss Uskans e Ilze Farte. Dupla que animou a festa Ligo 2017. Foto: Gabriela Liepkaln.
Apoio: Ministério da Cultura da Letônia e PBLA – Associação Letos Livres do Mundo

     Durante a festa tivemos um publico estimado em 600 pessoas que assistiram as danças e apresentações musicais e puderam encontrar amigos e parentes em um ambiente familiar. Tivemos visitantes de Varpa, Curitiba, São Paulo etc.. Como em toda celebração leta a gastronomia não ficou para trás. O público pode se servir com pratos típicos letos e pratos tradicionais no Brasil durante essa época do ano. Isso tudo só foi possível através do trabalho voluntário de muitas pessoas que sempre ajudam a Associação Brasileira de Cultura Leta.

A Festa Ligo tem um ambiente familiar que propicia agradáveis encontros de famílias e amigos. Foto: Paulo Vieira
Parte das voluntárias que prepararam deliciosos pratos durante a festa. Foto: Gabriela Liepkaln

     A festa Ligo 2017 também foi a abertura das celebrações do centenário da Letônia no Brasil. Durante a festa explicamos que em 2018 celebraremos o centenário da Independência e proclamação da República da Letônia e como essa data é muito importante, iremos comemorar desde o Ligo até 2019.

No ligo 2017 demos início as celebrações do centenário da Independência e proclamação da república da Letônia no Brasil. Foto: Gabriela Liepkaln

Celebração de Līgo em Riga

No ano passado fiz um estágio na Letônia e tive a oportunidade de ir a uma celebração de Līgo ou Jāņi (o Solstício de Verão, o feriado mais popular do país) em Riga, no dia 23 de junho. As festas de Līgo mais tradicionais acontecem nas cidades do interior, mas para participar você precisa ser convidado, já que são festas familiares.

Poucos letões ficam na capital durante o feriado de Jāņi. Apesar disso, todo ano duas festas de solstício de verão são realizadas em Riga para quem não pode ir para o interior: uma na praça 11.Novembra, na parte velha da cidade, com DJs, performances teatrais, dançarinos e cantores folk, e outra no parque Dzegužkalns (Colina dos Cucos), a cerca de cinco quilômetros do centro da cidade, meia hora de viagem de ônibus.

Eu optei pela última festa por considerar que esta teria um clima mais bucólico, tradicional e mais perto da natureza que no centro e porque a programação de Dzegužkalns oferecia bandas folk incríveis, como Iļģi, uma das bandas mais antigas da Letônia em atividade, e Auļi, que toca tambores e gaitas de fole.  E minha escolha foi muito acertada.

No centro a festa é mais para turistas. Muitos estrangeiros também vão à celebração no parque, mas são mais estrangeiros que moram na Letônia e já estão familiarizados com a cultura local. Além de famílias letãs, encontrei pessoas da Colômbia, Chile, Espanha, Alemanha, Índia… Além disso, é grande o número de russos. Como é uma festa aberta, os russos que moram no país marcam presença. O parque é lindo e grande, com muitas árvores, flores e pássaros e um rio.

A festa começou às 20:00 e havia muito para ver e fazer. Se a Letônia é conhecida como o país da música, no dia do Solstício de Verão há ainda mais canto e dança que de costume. As músicas folclóricas eram cantadas e dançadas tanto no palco, quanto na grama. Tinha gente de todas as idades e muita comida típica e cerveja boa com preço justo. Os letões estavam todos vestidos com roupas tradicionais e as mulheres com coroas de flores naturais e os homens com coroas de folhas de carvalho. Quem nunca tinha feito uma coroa podia aprender a confeccioná-las com flores colhidas nos campos da Letônia.

Também dava para comprar artesanato e aprender danças típicas. Quem se cansasse de dançar, era só estender um pano na grama, relaxar e observar as estrelas, mas nada de dormir! Diz a tradição que no Līgo todos têm que esperar o nascer do sol acordados e quem dorme antes não vai aproveitar o verão.

Ao entardecer uma grande fogueira foi acessa no centro e a partir dela, outras menores foram alimentadas e espalhadas pelo parque para quem sentisse frio. A temperatura estava amena, mas havia um vento gelado.

A festa foi linda e muito organizada. Passei 10 horas na celebração com pessoas desconhecidas que depois de alguma conversa pareciam velhos amigos; o calor humano era cativante. Quando o sol estava nascendo subimos uma das colinas do parque com a cantoria de músicas tradicionais comandada por um casal. Já no topo eles começaram a cantar mais alto, se revezando, e quem sabia as letras acompanhava. Quando o sol já estava alto, lá pelas 06:00, todos fizeram silêncio para apreciar a vista ou fazer reflexões. Casais se abraçavam. A maior parte das crianças começava a demonstrar sinais de sono. Aos poucos a multidão foi se dispersando, cada um indo para suas casas ou para continuar a festa no centro da cidade. Meu primeiro Solstício de Verão na Letônia foi inesquecível! Não tão legítimo, é verdade, por ter sido em Riga, mas ainda, sim, mágico!

 

Texto e fotos: Maria Fernanda Gottardi